Ascêncio é uma escultura que captura, em silêncio contido, a tensão sagrada entre o peso da matéria e o impulso do espírito. A base circular, sólida e terrena, representa o chão inevitável da existência e o ponto de partida do ser encarnado. Dela se ergue uma figura humana de linhas puras, sem rosto nem identidade específica, símbolo universal da consciência em busca de transcendência. Essa figura não caminha nem repousa: ela flutua. Suspensa, entre o chão e o infinito, em estado de ascensão.
A moldura curva que a circunda é uma arquitetura quase orgânica, reminiscente de asas ou raízes invertidas, e se apresenta ambígua: tanto proteção quanto desafio. Ela é o limite do mundo visível, o útero e a fronteira. O ser, ao erguer-se dentro dela, é ao mesmo tempo amparado e confrontado por aquilo que o molda.
O título, “Ascêncio”, ressoa como um verbo e um nome. É ação e identidade. Esta obra é um tributo silencioso à força interior, ao ímpeto invisível que nos lança além da estagnação, além da dúvida. Trata-se de uma ode à vontade consciente, à coragem de ultrapassar moldes impostos, ao movimento espiritual que não se explica, mas se sente. Cada curva é uma escolha; cada linha vertical, uma afirmação. Esta peça sussurra: é possível elevar-se, mesmo dentro da matéria.
Design:
Síntese entre forma essencial e simbolismo profundo. A pureza das linhas e volumes — sem ornamentos ou excessos — evidencia uma estética contemplativa, convidando o olhar à quietude e à introspecção. No centro da composição, uma figura humana de traços minimalistas flutua levemente diante de um cilindro vertical. Esta escolha de suspensão frontal gera uma sensação de leveza e transcendência, como se o corpo pairasse num instante de elevação silenciosa. O cilindro funciona como eixo de estabilidade e profundidade, representando o centro do ser ou o canal de ascensão interior.
As duas linhas arqueadas, que se erguem a partir da base sólida e abraçam a estrutura com delicadeza, criam um espaço de tensão harmônica entre impulso e acolhimento. São formas que sugerem tanto um ninho quanto uma catapulta (abrigo e voo). A textura áspera, quase terrosa, rompe com a frieza do design geométrico e reforça o caráter artesanal da peça. Ela evoca a matéria-prima em seu estado intermediário já moldada, mas ainda vibrando com a energia da transformação. Essa superfície orgânica aproxima a obra da natureza, do toque humano, do gesto do criador.
Em sua totalidade, o design de Ascêncio comunica mais do que estética: ele encena um momento de passagem entre peso e leveza, entre forma e sentido.
Dimensões (Largura × Profundidade × Altura, em cm):
• Pequeno (P): 12 × 8 × 15
• Médio (M): 16 × 11 × 20
• Grande (G): 20 × 13 × 25
Peso aproximado (em gramas):
• Pequeno (P): 100 g
• Médio (M): 190 g
• Grande (G): 320 g