Fenda #2 é uma celebração da imperfeição como linguagem e da abertura como potência. Sua superfície, marcada por linhas verticais contínuas que sugerem crescimento e ascensão, culmina em duas fendas assimétricas que cortam o topo da peça como gestos coreografados. Como se a matéria tivesse cedido ao tempo, ao gesto, à luz.
As fendas não fragmentam; revelam. Elas não ferem a integridade da forma; a completam. São passagens sutis por onde o olhar entra e se instala, como a luz que atravessa uma janela silenciosa ao amanhecer. Há nelas um movimento contido, um convite à contemplação. A peça não fala de dor, mas de transformação.
Essa obra não busca simetria, mas equilíbrio sensível. Não declara função, mas invoca sentido. É uma forma que pensa e sente, que acolhe o invisível e convida à pausa. Uma presença silenciosa que sussurra: há sempre uma fenda, e é por ela que a luz entra.
Design:
Fenda #2 é mais do que um objeto: é um acontecimento formal. Sua presença concentra o gesto de desdobramento, como se a matéria estivesse em transição — entre contenção e abertura, entre o peso da terra e o impulso do ar. Com um estilo escultórico e orgânico, a peça revela uma tensão suave entre o natural e o construído, entre o que cresce e o que foi projetado.
A base sólida, de curvas generosas e quase arquetípicas, ancora a peça ao espaço com uma gravidade silenciosa. Dela emergem delicadas linhas verticais — sulcos contínuos que percorrem toda a superfície como marcas de tempo ou crescimento. Esses sulcos não são apenas textura: são estrutura viva, como se a peça respirasse ou brotasse lentamente de um solo invisível.
No topo, a forma se rompe em duas fendas assimétricas que não ferem, mas libertam. As aberturas são revelações: rasgos cuidadosamente posicionados que evocam pétalas prestes a se abrir, conchas expostas ao vento ou janelas de uma arquitetura meditativa. Essas fendas não obedecem à simetria tradicional, e justamente por isso carregam uma força poética. Elas instauram um movimento, uma coreografia congelada entre o fechado e o exposto. Trata-se de uma forma que contém silêncio e expansão, que sugere, sem declarar, um caminho emocional a ser percorrido pelo olhar.
Dimensões (Largura × Profundidade × Altura, em cm):
• Pequeno (P): 11 × 11 × 15
• Médio (M): 15 × 15 × 20
• Grande (G): 18 × 18 × 25
Peso aproximado (em gramas):
• Pequeno (P): 90 g
• Médio (M): 140 g
• Grande (G): 260 g