Este vaso não se esconde, não suplanta nem tenta preencher seus vazios. Ele os expõe com a tranquilidade de quem compreendeu que a ausência também é forma, que o espaço também é presença. A fenda, em sua delicadeza vertical, não representa uma ruptura, mas um gesto de afirmação. É como se a matéria tivesse se afastado suavemente de si mesma apenas para revelar o centro; não como ferida, mas como convite.
Há nessa peça uma sinceridade rara: ela não ostenta, não busca simetrias perfeitas, não disfarça o que lhe escapa. Ao contrário, abraça o que poderia ser visto como falta, e o transforma em força. Seu silêncio diz mais do que ornamentos diriam. Não há excesso, não há ruído visual, apenas uma forma que se sustenta no equilíbrio entre o que é e o que já não precisa ser.
Fenda #1 nos convida à contemplação do que é essencial. Como corpos que carregam cicatrizes, como histórias contadas por gestos e não por palavras, essa peça fala de inteireza sem completude. Sua integridade não está no que contém, mas na coragem de deixar transparecer o que falta. E, ao fazer isso, tornar-se ainda mais plena. Ela é um manifesto sutil da beleza que existe no imperfeito, no inacabado, no que ousa não esconder sua vulnerabilidade. Um lembrete silencioso de que a integridade é, muitas vezes, o ato de aceitar-se exatamente como se é. Com tudo o que se tem, e com tudo o que se perdeu.
Design:
Fenda #1 nasce de um gesto biomórfico de curvas inspiradas pelo próprio instinto da natureza. Seu corpo arredondado emerge da base como se brotasse do solo, como uma semente prestes a se abrir ao mundo. A superfície levemente texturizada convida ao toque, como se pedisse silêncio para ser sentida antes de ser compreendida.
Ao subir, a forma se estende em um fluxo contínuo, sem ângulos abruptos ou interrupções com uma fluidez que parece ter sido moldada por vento, por água, ou por algum tempo lento e orgânico. A abertura no topo se desdobra em curvas suaves, lembrando pétalas prestes a florescer ou conchas que se abriram ao sol. Essa borda, entre expansão e recolhimento, transmite uma elegância serena e uma beleza que não se impõe, mas que se revela com calma.
O design de Fenda #1 não busca imitar a natureza, mas dialogar com ela. As proporções parecem guiadas por uma lógica interna mais sensível do que matemática. Tudo parece moldado por sensações mais do que por técnicas. É uma peça que poderia ter nascido do mar, de uma flor esquecida no tempo, ou do sonho de uma paisagem onde tudo cresce suavemente, sem pressa. Há, portanto, uma presença viva em sua forma: não estática, mas em suspensão. Não é apenas um objeto, é uma pausa. Um momento de contemplação congelado em matéria. E nessa pausa, o olhar encontra abrigo, a mão encontra leveza, e o espaço ao redor se transforma.
Dimensões (Largura × Profundidade × Altura, em cm):
• Pequeno (P): 11 × 11 × 15
• Médio (M): 15 × 15 × 20
• Grande (G): 18 × 18 × 25
Peso aproximado (em gramas):
• Pequeno (P): 90 g
• Médio (M): 140 g
• Grande (G): 260 g